terça-feira, 15 de abril de 2008

Barroso presidente do Conselho Europeu?

Não é meu hábito, mas decidi incluir aqui o texto que saiu hoje no Publico sobre uma possível mudança de posto de Durão Barroso, para suscitar a discussão (e para compensar a minha longa ausência ... :-)

Barroso perto da presidência do Conselho Europeu
Durão Barroso é actualmente um dos nomes mais bem posicionados para aceder ao cargo de primeiro presidente do Conselho Europeu, depois de Tony Blair - dado até há pouco como um dos candidatos mais fortes - ter ficado fora da corrida.

Este cenário é o preferido por Angela Merkel, chanceler federal da Alemanha, e está a fazer o seu caminho em França, cujo Presidente, Nicolas Sarkozy, tinha começado por expressar em Outubro passado simpatia pela escolha do ex-primeiro-ministro britânico. Desde então, no entanto, os franceses passaram a defender, como vários outros líderes europeus, que o detentor do novo cargo, que assumirá funções em simultâneo com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa (previsivelmente a 1 de Janeiro de 2009), terá de ser oriundo de um país com uma participação plena em todas as políticas europeias, como o euro e o espaço Schengen de livre circulação de cidadãos. O que deixa claramente de fora o Reino Unido.

Mesmo se nenhuma decisão está ainda tomada, a exclusão de Blair está já firmemente assente no seio do PPE (Partido Popular Europeu), a federação europeia dos partidos conservadores (que inclui o PSD português, mas também a CDU de Merkel e a UMP de Sarkozy), que, por reunir o maior número de chefes de Governo dos Vinte e Sete, e de lugares no Parlamento Europeu (PE) desempenha um papel central em todas as nomeações. A opção do PPE tem igualmente a ver com a personalidade de Blair, cuja forte apetência por microfones e câmaras de televisão suscita o receio de querer moldar o cargo à sua visão da Europa e fazer sombra à Comissão Europeia, a instituição central na gestão da agenda comunitária.

Ao invés, o perfil do actual presidente da Comissão Europeia é considerado bem mais adequado ao novo posto. Barroso "tem muitas das qualidades necessárias para o cargo" considera Peter Ludlow, director do "think tank" Eurocomment e grande especialista das questões europeias: "É um diplomata, bom comunicador, facilitador de consensos, conhecedor da máquina comunitária, ouvido pelos líderes da UE e não interferirá no trabalho da Comissão".

A ajuda do calendário

Uma das razões avançadas pelos defensores da mudança de posto de Durão Barroso tem a ver com o calendário das futuras nomeações: enquanto que o presidente do Conselho Europeu será nomeado pelos líderes da UE o mais tardar até Dezembro deste ano, o presidente da Comissão Europeia só será escolhido em Junho de 2009, igualmente pelos líderes, "tendo em conta as eleições europeias" (previstas para o mesmo mês), segundo é estipulado pelo Tratado de Lisboa.

Mesmo prevendo, com base nas actuais sondagens, que o PPE será o grupo mais votado, os seus membros sabem que, à partida, não poderão ter os dois cargos. Mas entre a presidência do Conselho Europeu e a da Comissão Europeia, o PPE prefere a segunda, devido à sua influência e importância muito superiores. Grande parte dos seus membros - mas não todos - está pronta a apoiar a confirmação de Barroso para um novo mandato de cinco anos.

O problema, argumenta a CDU de Angela Merkel, é que se o PPE abdicar do primeiro posto em Janeiro, poderá ficar de mãos a abanar se por acaso - hipótese considerada hoje altamente improvável - perder as eleições em Junho. Ou, mesmo que as ganhe, se os socialistas e os liberais (segunda e terceira família no Parlamento Europeu) confirmarem a sua actual intenção de formar uma coligação de modo a ultrapassar o PPE em número de votos e poderem escolher o presidente da Comissão. Que, claramente, não será Durão Barroso.

Convicta de que "mais vale ter um pássaro na mão do que dois a voar", Merkel prefere assegurar desde logo pelo menos o cargo de presidente do Conselho Europeu. Os alemães pretendem concluir simultaneamente um acordo com os liberais para a promoção de uma personalidade consensual entre as duas famílias para a Comissão Europeia. Nesta perspectiva, caso os conservadores sejam a família mais votada, uma aposta possível incide sobre Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro do Luxemburgo (também do PPE) que poderia beneficiar do enorme prestígio que adquiriu enquanto membro mais antigo do Conselho Europeu. A alternativa seria a escolha de um liberal aceitável para o PPE.

A tese de Merkel não é consensual no seio dos partidos conservadores. Alguns preferem proceder exactamente ao contrário: firmar um acordo logo de início com os liberais - de modo a impedir qualquer coligação destes com os socialistas -,oferecendo-lhes a presidência do Conselho Europeu. Os defensores desta tese consideram que o primeiro-ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen, teria boas possibilidades, sobretudo agora que pretende convocar um referendo interno para a adesão do seu país ao euro e ao espaço Schengen. O que permitiria ao PPE obter de antemão o apoio firme dos liberais para a confirmação, em Junho, de Durão Barroso na Comissão.

Em qualquer dos cenários, os socialistas ficariam com o alto representante para a política externa, uma versão ligeiramente reforçada do cargo actualmente ocupado pelo socialista espanhol Javier Solana. Mesmo se o PPE ainda não tem uma posição uniforme, "quando Merkel quer uma coisa, tende a ser extremamente persuasiva", lembra Peter Ludlow. E, normalmente, bem sucedida.

4 comentários:

Diogo em Macau disse...

Uma forma de despromover alguém de um país limítrofe para promover alguém dos 6 primeiros?

Bernardo disse...

Mais importante que saber quem será o Presidente do Conselho é conhecer as suas competências, o que se não me engano está ainda por esclarecer em pormenor. Em teoria, a idea de Barroso como Presidente do Conselho (especialmente se Junkers aceitar ser Presidente da Comissão) seria ideal para os que, como eu, vêem nesta nova figura do Presidente do Conselho um possível entrave à acção da Comissão. Com um Presidente do Conselho fraco e uma Comissão forte, veríamos avanços importantes em questões-chave como por exemplo energia e alterações climáticas ; uma situação inversa significaria seguramente propostas mais comedidas e cheias de excepções introduzidas pelos Estados Membros em vez das tão necessarias medidas de choque.

O Raio disse...

Durão Barroso é nitidamente pau para toda a obra, começou como maoista e actualmente é Presidente da Comissão Europeia.
Não me espantava nada vê-lo como Presidente do Conselho Europeu, com residência oficial (provavelmente chamada Blue House para não se confundir com White House), avião oficial (qualquer coisa One), etc., etc.

E, se a Al-Qaeda vencesse e converter-se a Europa e os Estados Unidos ao islamismo, reinstalando o Califado em Bagdad, também não me espantaria nada vê-lo como número dois do Califa lá em Bafdad...

O miudo tem futuro...

Joao EU céptico disse...

O Barroso é uma marioneta contraditória, que de forte ou fraco tem tem tanto como o seu nome - durão, barroso.

Ele é sem dúvida um bom negociador na boa tradição portuguesa de diplomacia. Sabe agradar a gregos e a troianos (tal como o seu nome indica).
Mas isso implica a negação completa dos interesses vitais para Portugal. Ele não tem caracter e é corrupto como toda a classe política europeísta portuguesa.

O homem chegou a 1º ministro enganando os portugueses com o "choque fiscal", sabendo que de facto a redução do IRC iria aliviar a economia do alargamento a leste, exportações chinesas e aumentos do petróleo. Mas as pressões e subornos sobre os políticos falam mais alto em Portugal. Esse governo duro e barrento acabou por aplicar o choque fiscal onde não o deveria ter feito: acabando com o imposto sobre as heranças.
Assim vai a economia portuguesa de mal a pior, a ponto de toda a Europa se rir de nós.
A Estónia e a Eslováquia vão ultrapassar-nos em breve. Porquê? Impostos baixos onde é necessário. Não venham com argumentos tipo quadratura do círculo, porque a discussão volta ao mesmo.

Na Europa, o Barroso é um excelente pivô, tanto assim que os líders europeus gostam dele. Para Portugal não serve.
Se Portugal sair da UE, como assim o desejo, não me importo nada que ele fique por lá com algum tacho.

Pensem no que nos afecta: A UE proibe-nos de produzir e exportar.

1 - Abate de barcos de pesca
2 - Abate da marinha mercante portuguesa
3 - Prémios aos agricultores para deixar de produzir
4 - Quotas muito baixas na agricultura
5 - Quotas muito baixas nas pescas
6 - Restrições às exportaçóes de carne portuguesas
7 - Limite de emissões de CO2 escandalosamente baixos
8 - Subsídios para formação e educação devolvidos a Bruxelas - que o digam os Centros do IEFP, que anunciam cursos ficticios e não os fazem. Provavelmente os funcionários publicos encarregues destes cursos recebem dinheiro para devolver os subsídios a Bruxelas. Concorrência em know-how não interessa aos nossos "amigos" europeus.
9 - Entraves à circulação de companhias de transportes de passageiros portuguesas na Europa.

A classe política portuguesa é comprada para defender isso. Isto é extremamente grave, e é o que os portugueses se devem preocupar.

NÃO À UNIÃO EUROPEIA!