quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Isto das máquinas...

... de vez em quando prega-nos cada susto! Foi o que aconteceu hoje aos dois eurodeputados do PCP, Ilda Figueiredo e João Ferreira, que não conseguiram votar a favor - como parece que queriam - de uma proposta de resolução (hoje rejeitada pelo Parlamento Europeu) sobre a liberdade de informação em Itália e na UE.

Os dois deputados participaram na votação de mais de vinte propostas de alteração ao texto do PE, mas imagine-se que quando chegou o momento de votar a resolução política no seu conjunto, não conseguiram. Por causa de "um erro nas máquinas", explicou a assessora de imprensa. E não é que foram avariar logo as duas ao mesmo tempo? Apesar de estarem separadas por várias filas de deputados? É preciso azar...

Os dois deputados devem ter ficado tão perturbados que nem se lembraram de assinalar de imediato a avaria à mesa do PE. Se o tivessem feito, o seu voto poderia ter sido contabilizado nos votos a favor... Assim, a resolução anti-interferências de Berlusconi na liberdade de imprensa foi rejeitada por uma diferença de ... 3 votos

PS: Em declaração de voto, Ilda Figueiredo (na fotografia) não disse nada sobre a avaria, afirmando que os dois deputados votaram "a favor". Mas precisou: "no entanto discordarmos de alguns aspectos desta resolução que raiam a ingerência na vida democrática de cada país, e temos as maiores dúvidas sobre uma possível directiva neste âmbito, designadamente tendo em conta a composição actual do Parlamento Europeu".

Estará explicada a avaria?

2 comentários:

O Raio disse...

A nossa Hilda provavelmente tem razão.
O PE adora meter o nariz em todo o lado e é natural que se tente travar estes impetos.
Acho o senhor Berlusconi intragável mas compete ao povo italiano ver-se livre dele.

pirata disse...

Pois é, esse voto teve bonitos momentos.
- O Mário David e o Nuno Melo protagonizaram um patético momento de sectarismo anti-patriótico, ao tentarem meter a Manuela Moura Guedes numa resolução sobre a liberdade de informação em Itália.
- A proposta do Mário David, e respectiva boa resposta da Edite Estrela, de Saramago renunciar à nacionalidade portuguesa. Decididamente a liberdade de expressão e o patriotismo não são o forte do David. Resta saber o que é.
- Enfim, o aludido episódio da avaria das máquinas de voto. Aqui, há que defender a Ilda e o Joãozinho. Aquilo que aconteceu foi uma cãibra digital estalinista. Explico: no momento de carregar no botão o dedo indicador recusou-se a executar o movimento. Censurar os tiques estalinistas dos nossos modernos comunistas é desumano, é como censurar uma convulsão a um epiléptico: é fazer pouco da desgraça alheia.
Seja bem reaparecida.