segunda-feira, 25 de junho de 2007

Porquê Tratado de lisboa?

Chamar Tratado de Lisboa ao futuro Tratado está simplesmente na tradição da União Europeia: os Tratados têm os nomes das cidades em que são concluidos. Temos, no passado recente, os Tratados de Maastricht, de Amesterdão e de Nice. Como o primeiro ministro anunciou que quer concluir o acordo final sobre o Tratado na cimeira de Lisboa de 18 e 19 de Outubro, a conclusão lógica é que deverá ter o nome de Lisboa. A menos que Portugal diga que não quer. Mas ontem, o presidente da República disse claramente que "gostávamos que se chamasse Tratado de Lisboa". Aliás, vão ver que o nome do Tratado vai ajudar a justificar a anulaçao do referendo em Portugal...

15 comentários:

O Raio disse...

É óbvio que tudo está a ser feito para abrir caminho a uma ratificação parlamntar e não por referendo do tal Tratado de Lisboa.
Embora talvez este nome não seja muito auspicioso... lembremo-nos da Estratégia de Lisboa...
Mas o que é estranho é porque é que o Sócrates vai deixar correr esta guerra com todos os partidos a perguntarem se há referendo e ele a não dizer nada.
Parecia mais seguro que dizesse já que não há referendo, toda a gente protestava durante uns tempos e depois calavam-se.
O problema deve ser outro, Sócrates mantem na manga um trunfo nas negociações que vão ocorrer durante a presidência portuguesa, tipo se me chatearem muito faço um referendo no meu país como toda a oposição quer e eu já tinha prometido.

Free Will disse...

a todos os ceticos ao nome dos tratados europeus gostava so de relembrar que foram os espanhois e os tugas que comecaram a usar o nome das cidades... lembram-se de Tordesilhas??

como em tudo na EU ... os que demonstram o seu desagrado com a EU vão buscar tudo o que é detalhe para por abaixo... até o nome dos ditos tratados! :))!

O Raio disse...

Eu mostro o meu desagrado com a UE mas acho irrelevante o nome dos Tratados.
Referi o nome de Vila Nova do Corvo por ironia, mais nada.
Acho no entanto que numa estratégia comercial e de promoção turística o nome do Tratado pode ter valor.
Chama-lo de Lisboa tem grandes vantagens pois Lisboa é uma das principais regiões turisticas do país, é (ou quer ser) uma cidade de negócios e congressos, tem dois casinos, um dos quais (Estoril) o maior da Europa, etc.
No entanto, se as coisas tivessem sido pensadas a tempo e se o aeroporto internacional de Beja já estivesse em funcionamento e se Beja e região envolvente já tivessem as necessárias infra-estruturas, seria uma boa ideia realizar a tal reunião que vai aprovar o tratado em Beja pois seria uma forma única de a tornar conhecida internacionalmente.
O nome de tratado é uma forma gratuita de promoção de uma cidade ou região.

pirolas disse...

O Socas devia de organizar a cimeira em Guimarães...

Joao disse...

Se fosse tratado de Guimarães éramos o único povo da europa a conseguir pronunciar o nome.
mas concordo que não deveria ser "tratado de lisboa". O nome já é banal que chegue. e Maastricht e Nice não são capitais de nenhum país. Ou por exemplo, o acordo de Schengen, uma aldeola no Luxemburgo que deu nome ao acto de atravessar livremente as fronteiras do continente.
Podiam fazer a reunião no Porto. Simples e funcional.

Free Will disse...

realmente a reunião poderia ser em qualquer outra cidade portuguesa... como o último comentário chama a atencao poucas foram as reuniões que deram origem a tratados realizadas em capitais europeias...
Volta assim a tona a centralizacão brutal que existe no nosso tugalzinho... :) ... se pensar-mos que Maastricht é mais pequeno que o porto... e que conseguiu organizar e mobilizar-se para fazer o que fez ... porque não coimbra, évora ou braga? talvez seja porque não temos um aeroporto decente perto dessas cidades ... talvez porque não exista um comboio entre um qualquer aeroporto e as ditas cidades... enfim ... aquelas coisas que dão geito ter nestas situacoes que apenas Lisboa e o Porto tem...

João disse...

O nome do tratado, ou escolha do local da cimeira, é mais uma prova do centralismo doentio. Lisboa não precisa da promoção gratuita que é dar nome ao tratado. Mesmo o Porto dispensa-a. Mas qualquer outra cidade portuguesa agradeceria o gesto, é publicidade de milhões conseguida de borla. Usa-la com Lisboa é puro desperdício.

JOAO PEDRO DIAS disse...

Sem querer entrar em futurologias, receio bem que a sra Merkel não deixe que o Tratado venha a ser assinado em Lisboa ou a chamar-se Tratado de Lisboa. A contra-gosto suspeito que vamos estar face a um futuro Tratado de Berlim. Oxalá me engane - seria bom (em princípio) Portugal ficar associado a este momento da história da UE.

Isabel Arriaga e Cunha disse...

O Tratado não precisa de ser assinado em Lisboa para ter o nome de Lisboa. Amesterdão e Nice deram o nome a dois Tratados não por estes aí terem sido assinados, mas simplesmente porque foi nessas cidades que foram concluidos os respectivos acordos políticos. O que é, em princípio, o que vai acontecer em Lisboa. Claro que o cenário mencionado por João Pedro Dias é perfeitamente plausível, para não dizer altamente provável: a partir do momento em que foi a Alemanha que fez o trabalho mais difícil com a definição do mandato para a negociação do novo Tratado, não me espantaria que o seu governo queira de alguma forma associar o dito ao país. Mesmo se, obviamente, o trabalho de tradução do acordo político para o texto de um novo Tratado, que será conduzido pela presidência portuguesa da UE, está longe de ser fácil: há um sem número de zonas cinzentas e de problemas mal resolvidos que tenderão a ser reabertos nas negociações e gerar novos conflitos.

Mas se Portugal não conseguir ficar com o nome, arrisco duas possibilidades: ou será por inabilidade política, ou porque considera que o Tratado é tão mau que não lhe quer ficar associado. Qualquer que seja a razão, espero que sejamos devidamente informados

Por outro lado, por uma questão de justiça, tenho que sublinhar que acredito que quando Lisboa foi escolhida para acolher a cimeira de Outubro, há mais de um ano, não havia ainda a mínima perspctiva de concluir o Tratado nessa altura. Este calendário só começou a ganhar forma quando se tornou claro quem seria o novo presidente francês, o que permitiu acelerar todo o processo. Ou seja, o local da cimeira não foi escolhido para dar o nome ao Tratado. Mas, simplesmente (e perdoem-me os que consideram que isto é um complexo centralista)porque Lisboa é o local mais fácil, no plano logístico, para organizar a cimeira.

Lembram-se da experiência da cimeira de Santa Maria da Feira, em Junho de 2000 ? Na altura eram apenas 15 Estados membros, e já foi um pandemónio, com o Porto totalmente bloqueado, a auto-estrada para o local da cimeira encerrada ao trânsito, idem para o percurso de Pedras Rubras para a cidade, atrasos intermináveis no transporte das delegações nacionais e dos 2 a 3 mil jornalistas para o local... Imaginem agora com 27!

João MAmede disse...

Porquê em Lisboa...lá vem o centralismo!
Este tratado....por mim era melhor tirar o Reino Unido da UE. E é uma pena que os novos estados membros...ao saberem para o que iam entrar façam braços de ferro para por mais C.E.E e menos U.E.

O Raio disse...

"Este tratado....por mim era melhor tirar o Reino Unido da UE. E é uma pena que os novos estados membros...ao saberem para o que iam entrar façam braços de ferro para por mais C.E.E e menos U.E."

????? Portugal quando entrou para a EFTA, há quarenta anos, deu um pulo chegando a ter a economia a crescer a dois dígitos.

A solução para os problemas do país nem seria ter mais CEE e menos UE, a solução seria termos mais EFTA e menos UE.

Pelo menos as nossas pescas não teriam ido ao fundo!

Quanto ao Reino Unido, senão estivesse na UE, nós portugueses, já deviamos ser uma região pobre e despovoada do Ocidente espanhol.
No fundo ainda é o Reino Unido que vai obrigando a uma réstea de bom senso na cabeça da maior parte dos políticos europeus.

Anónimo disse...

"???? Portugal quando entrou para a EFTA, há quarenta anos, deu um pulo chegando a ter a economia a crescer a dois dígitos".

É curioso: quando oiço ou leio este género de comentários, normalmente em vez de EFTA está "Salazar"...

Mário

O Raio disse...

"É curioso: quando oiço ou leio este género de comentários, normalmente em vez de EFTA está "Salazar"..."

Mas não é o caso...

O problema é que a integração europeia travou totalmente o desenvolvimento do país.

Portugal na UE cresce menos do que o Portugal dos anos sessenta e setenta, anos em que havia uma ditadura e uma guerra que nos levava mais de metade do orçamento.

Isto não é de nenhuma forma um elogio à ditadura salazarista/marcelista. É mas é uma critica à estratégia da integração europeia uber alles (acima de tudo).

Nascido Noutro Planeta disse...

Com referendo ou sem ele, a ditadura dita democrática (do voto) NÂO É uma utopia. Comandados por cordelinhos invisíveis os votantes fazem a vontade dos donos. Isto é uma palhaçada!
Utopia é, sim, a dita democracia tentar fazer esquecer a sua ditadura.
À comunidade dos crentes cabe a adoração e o escorraçar dos infiéis... a bem da dita "democracia".
Isto sim é um tratado!!!

Joao (outro, o eurocéptico com c) disse...

Um tratado que é mau e ter o nome da minha cidade pode ter um efeito adverso na publicidade. Por isso, acho que os alemães não estão interessados em dar o nome da sua interessante capital (sem ironia), nesta altura do campeonato, a um tratado que vai ser objecto de duras críticas. Berlim? Aí é que a Polónia dizia mesmo "não"
o raio: discordo sobre a sua opinião em relação aos ingleses. Eles são os grandes defensores do alargamentos a qualquer custo. Não são sensatos. Há apenas semelhanças entre Portugal e Inglaterra que Portugal deve seguir: periferia na Europa, relações fortes com o resto do mundo, mar.
Free Will: a questão da tradição dos nomes das cidades é irrelevante. O que interessa é se o tratado é bom e oportuno. Não é.
I. A. e Cunha: Não me parece que a cidade de Ioannina tenha melhores condições que o Porto ou S. M. da Feira para uma cimeira. Ioannina fica nos "Trás-os-Montes" da Grécia, na ponta noroeste, perto da Albania.